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Crônica do Sebastião Milagres - Congada: A Coroa é Negra e reza dançando. (Final)

Crônica do Sebastião Milagres - Congada: A Coroa é Negra e reza dançando. (Final)
"Mãe Josefa e tia Estela(?)
Óia as flores na janela
Nossa gente vem cantando
E a Congada vai passando"
(Congada pra Sinhô Rei- Wilson Moreira)

A bandeira subiu no Congado!
A bandeira subiu na Copa!
Te prometi na crônica anterior. Cheguei!
Nossa Senhora do Rosário segurou o mastro.Segurou nossa seleção também!

E vamos a continuação da parte final,.da crônica da semana passada.
Logo em seguida os congadeiros saiam cantando e dançando pelas ruas do bairro. Na frente às vezes ia a minha sogra Dona Lode já idosa toda animada, levando o estandarte do Congado. Atrás vinha o capitão, que sinalizava com o apito o início e o final da música.Depois o palhaço com chicote na mão estalando-o, abrindo -caminho para o rei e a rainha.passarem e também para proteger a bandeira.
A caminhada terminava à noite em frente a Capela do São Dimas. Em meio a uma cerimônia era içadas no mastro as pequenas bandeiras de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.Depois entravam na capela para assistirem a missa.
Duas festas, um só céu e missão cumprida.
Aqui fica o registro porque a memória não pode ser apagada. Foram eles: Dona Lode, Senhor Valdemar e o José Camilo. Foram os fundadores do Congado
no antigo bairro Lava-pés. E até hoje não tiveram o reconhecimento que merecem..
Os três não pediram placa na praça. Pediram passagem. E passaram. Deixaram um mastro que sobe todo ano, uma missa que começa depois do tambor, é uma lição: a coroa é Negra, e ela não pede licença para reinar.Ela reza dançando.
Enquanto houver bandeira subindo no Lava-pés haverá três nomes segurando a corda lá de cima: Dona Lode, Senhor Valdemar e José Camilo. A eles meus respeitos. A eles, esta crônica.
MISSÃO CUMPRIDA, MEUS REIS!
A próxima:" O Holocausto Silencioso no Gongo: O Império de horror de Leopoldo II."
E-mail xequematemilagres@gmail.com

Sebastião Milagres, Escritor, Filósofo, ex- professor de xadrez aposentado, Conselheiro do Fórum Municipal Cultural de Santana de Parnaíba. Autor dos livros Xeque-Mate no Inferno -VII-A e Subjetivos: Fragmentos da minha alma.

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