Artigo | Quando o preconceito fecha portas, o empreendedorismo abre caminhos - por Clau Camargo, advogada e primeira-dama de Arujá (SP)
Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+
A falta de oportunidade no mercado de trabalho é uma entre tantas outras formas de preconceito que a população LGBTQIAPN+ sofre no Brasil. Para enfrentá-la, uma parcela considerável consegue encontrar no empreendedorismo uma saída para obter renda e dignidade. Divulgada em 2025 pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), uma pesquisa revela que essa população já é responsável por cerca de 3,7 milhões de negócios em funcionamento.
Isso significa que 24% das pessoas LGBTQIAPN+ do país já têm o próprio negócio ou atuam de forma autônoma, enquanto outros 20% pretendem empreender nos próximos três anos. Outro dado chama ainda mais atenção: entre pessoas trans e travestis, 70% já são donas de negócio, estão em processo de abertura ou desejam empreender. Para completar, cerca de 63% dos empreendedores têm entre 16 e 34 anos, 62% trabalham sozinhos e o faturamento anual é de aproximadamente R$ 81 mil para 82%.
Mas não podemos romantizar os números acima. Apesar da expressividade mostrada, empreender não é uma tarefa fácil e para essa população os obstáculos se tornam ainda maiores – assim como acontece no empreendedorismo feminino. Entre algumas das principais dificuldades está o acesso a linhas de crédito para investir na abertura do próprio negócio. Seja pela discriminação, burocracia ou exigências rígidas que dificultam a aprovação, muitos sequer tentam.
Quando, enfim, conseguem dar o pontapé inicial, além da concorrência, precisam vencer o preconceito do mercado. Entre todas as pessoas entrevistadas pela pesquisa do Sebrae, 58% relataram ter ouvido piadas ou comentários ofensivos no ambiente de trabalho ou nas redes sociais. Para pessoas trans e travestis, esse número salta para 80%.Enquanto 37% do total afirmam que já tiveram contratos negados ou condições piores de negociação devido à identidade de gênero ou orientação sexual.
Além de gerar renda, emprego e inovação, o empreendedorismo contribui significativamente para a redução das desigualdades, especialmente quando é realizado por minorias como a população LGBTQIAPN+ (cerca de 10% dos brasileiros se identificam com uma dessas letras, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em 2022). Portanto, é fundamental incentivar o empreendedorismo. Ele impulsiona negócios em diversos setores, promove crescimento, diversidade e transformação social em todo o país.
* Clau Camargo é advogada, autora e primeira-dama do município de Arujá, tendo coordenado a Câmara Técnica de Políticas Públicas para Mulheres do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat+) e atuado como presidente voluntária do Fundo Social de Solidariedade de Arujá.
A falta de oportunidade no mercado de trabalho é uma entre tantas outras formas de preconceito que a população LGBTQIAPN+ sofre no Brasil. Para enfrentá-la, uma parcela considerável consegue encontrar no empreendedorismo uma saída para obter renda e dignidade. Divulgada em 2025 pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), uma pesquisa revela que essa população já é responsável por cerca de 3,7 milhões de negócios em funcionamento.
Isso significa que 24% das pessoas LGBTQIAPN+ do país já têm o próprio negócio ou atuam de forma autônoma, enquanto outros 20% pretendem empreender nos próximos três anos. Outro dado chama ainda mais atenção: entre pessoas trans e travestis, 70% já são donas de negócio, estão em processo de abertura ou desejam empreender. Para completar, cerca de 63% dos empreendedores têm entre 16 e 34 anos, 62% trabalham sozinhos e o faturamento anual é de aproximadamente R$ 81 mil para 82%.
Mas não podemos romantizar os números acima. Apesar da expressividade mostrada, empreender não é uma tarefa fácil e para essa população os obstáculos se tornam ainda maiores – assim como acontece no empreendedorismo feminino. Entre algumas das principais dificuldades está o acesso a linhas de crédito para investir na abertura do próprio negócio. Seja pela discriminação, burocracia ou exigências rígidas que dificultam a aprovação, muitos sequer tentam.
Quando, enfim, conseguem dar o pontapé inicial, além da concorrência, precisam vencer o preconceito do mercado. Entre todas as pessoas entrevistadas pela pesquisa do Sebrae, 58% relataram ter ouvido piadas ou comentários ofensivos no ambiente de trabalho ou nas redes sociais. Para pessoas trans e travestis, esse número salta para 80%.Enquanto 37% do total afirmam que já tiveram contratos negados ou condições piores de negociação devido à identidade de gênero ou orientação sexual.
Além de gerar renda, emprego e inovação, o empreendedorismo contribui significativamente para a redução das desigualdades, especialmente quando é realizado por minorias como a população LGBTQIAPN+ (cerca de 10% dos brasileiros se identificam com uma dessas letras, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em 2022). Portanto, é fundamental incentivar o empreendedorismo. Ele impulsiona negócios em diversos setores, promove crescimento, diversidade e transformação social em todo o país.
* Clau Camargo é advogada, autora e primeira-dama do município de Arujá, tendo coordenado a Câmara Técnica de Políticas Públicas para Mulheres do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat+) e atuado como presidente voluntária do Fundo Social de Solidariedade de Arujá.
Fundado em 1994