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Cetras-SP cuida de fêmea de veado-catingueiro grávida após animal ser perseguido por quatro horas em Poá

Cetras-SP cuida de fêmea de veado-catingueiro grávida após animal ser perseguido por quatro horas em Poá
Caso reforça a importância de protocolos para captura de animais silvestres; após recuperação, animal deve ser devolvido à natureza no próprio município

O Cetras-SP (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres), da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), recebeu nesta segunda-feira (14) uma fêmea de veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) resgatada em Poá, na Região Metropolitana de São Paulo. Com 18 quilos, o animal está em estágio intermediário de gestação e permanece sob acompanhamento veterinário após apresentar um quadro de intenso estresse provocado pelo método utilizado na captura.

A captura e a contenção de animais silvestres devem seguir protocolos técnicos específicos, que consideram as características e as condições de cada animal. A adoção de métodos adequados é fundamental para reduzir o estresse e evitar lesões e outras complicações que podem comprometer a saúde da espécie.

Segundo informações fornecidas pela Prefeitura de Poá à equipe técnica do Cetras-SP, o animal foi perseguido por aproximadamente quatro horas antes da captura. O esforço físico excessivo associado ao estresse prolongado pode desencadear a chamada miopatia de captura, um distúrbio metabólico que pode evoluir para complicações severas e, em casos extremos, levar o animal à morte.

“A captura de um animal silvestre precisa ser feita com técnica e seguindo protocolos específicos, porque a perseguição e a contenção inadequadas podem provocar um nível de estresse muito elevado e colocar a vida do animal em risco. Neste caso, estamos cuidando de uma fêmea prenhe, que chegou ao Cetras-SP bastante debilitada pelo esforço da captura. Neste momento, nossa equipe está concentrada em oferecer o suporte necessário para a recuperação e, quando ela estiver apta, avaliar o retorno seguro à natureza”, explica Liliane Milanelo, coordenadora de Gestão de Cetras da Semil.

Caso a recuperação evolua conforme o esperado, a expectativa é que o veado-catingueiro possa ser devolvido à natureza no próprio município de Poá, em uma área adequada e avaliada pela equipe técnica.

Fauna silvestre em áreas urbanas

O veado-catingueiro é uma espécie de ampla ocorrência no Brasil e está classificado como de menor preocupação na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Apesar de não estar entre as espécies ameaçadas de extinção em escala global, o animal enfrenta pressões como a caça e outras ameaças de caráter regional.

Em média, dez veados-catingueiros são recebidos por ano pelo Cetras-SP, e a maior parte dos animais dessa espécie que chega ao centro foi vítima de ataques de cães, muitas vezes após entrar em áreas urbanas. A presença cada vez maior da fauna silvestre nesses locais está relacionada, entre outros fatores, à redução e à fragmentação dos ambientes naturais pela ocupação humana. Com a diminuição de seus habitats, os animais podem percorrer áreas urbanas e periurbanas em busca de alimento, abrigo e outros recursos.

“À medida que os ambientes naturais são reduzidos e fragmentados pela ocupação humana, os animais silvestres acabam circulando por áreas urbanas em busca de alimento, por exemplo. Por isso, é cada vez mais importante que as pessoas saibam como agir quando encontram um animal silvestre: não perseguir, não tentar capturar e manter distância, acionando os serviços especializados, como a Polícia Militar Ambiental, pelo 190, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193. Uma abordagem inadequada pode aumentar muito o estresse e colocar o animal em risco”, explica Liliane.

Atendimento e reabilitação

De janeiro de 2023 a agosto de 2026, o Cetras-SP recebeu 32.487 animais silvestres. No período, 19.542 animais foram reabilitados e destinados à soltura, sendo 18.908 indivíduos que ingressaram entre 2023 e 2026 e outros 634 de anos anteriores.

Entre os animais recebidos e reabilitados de 2023 a agosto de 2026, 77,13% foram destinados à soltura, enquanto 22,87% seguiram para empreendimentos de fauna autorizados.

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