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Crônica do Milagres - No Lombo da Mula - Existe diversas datas para o dia do tropeiro no Brasil, depende do estado.Leitor amigo, leitora amiga. Eu convivi, além dos ciganos, também com os tropeiros, já nos resquícios dos anos 60. A minha casa ficava

Crônica do Milagres - No Lombo  da Mula - Existe diversas datas para o dia do tropeiro no Brasil, depende do estado.Leitor amigo, leitora amiga.      Eu convivi, além dos ciganos, também com os tropeiros, já nos resquícios dos anos 60. A minha casa ficava
Leitor amigo, leitora amiga.
Eu convivi, além dos ciganos, também com os tropeiros, já nos resquícios dos anos 60.
A minha casa ficava ao lado do curral coberto do meu pai. Existia cochos para dar ração e agua para a tropa.
De vez enquanto, a gente ouvia Tim... Tim... Tim... Era o cincerro da mula madrinha, aviso do Brasil chegando. Eu abria a porteira para o comboio e ganhava uma rapadura.. Era uma espécie de menino da porteira. Guiado pela besta madrinha toda enfeitada: fitas coloridas na crina, quizos de latão no peitoral , pano bordado na cangalha e espelho na testeira.Era os mascates da estrada trazendo: miudezas, ferramentas, tecidos... até armas de fogo. Pediam pouso para o meu pai, seu Milagres. Que não cobrava nada, naquele tempo não negava pouso. Porque estava na alma hospitaleira do mineiro. E a cocheira virava hotelaria para cavalo.
Eles caminhavam a pé, somente quando o cansaço apertava de andar muito nas estradas, dentre elas a Estrada Real, então aí montavam nas mulas.Anos depois, voltei à aquela estrada.
Os tropeiros eram um alerta que a estrada tinha dono.
O mais bonito era a fé daqueles homens que carregavam oratórios, com imagens de Santo Antônio de Pádua padroeiro dos Tropeiros e Nossa Senhora Aparecida. Proteção contra assalto e despenhadeiro. Muitas vezes eu os surpreendiam com faca na cintura e o rosário na mão, ajolhelhados no chão duro do curral rezando o terço. Deus e coragem andavam juntos com eles.
De longe já vinha o cheiro do feijão tropeiro: feijão, torresmo, linguiça, ovo frito, farinha e couve rasgada na mão.Ou seja o prato "Feijão Tropeiro."
Não é a toa que o "Taste Atlas", colocou ele na lista dos melhores pratos do mundo.
Mas o momento que mais gostávamos era noite. Quando eles iam para o meio da rua, a gente fechava a roda.
Proporcionava uma espécie de espetáculo de cair o queixo, que a rua inteira parava para ver. Desafio da Rasteira, o famoso passa pé que lembrava um pouco a capoeira mesclada com a ginga dos malandros e o Samba de Roda, no qual o corpo dobrava, a perna voava.
Nós tínhamos nossos ídolos. Nas nossas brincadeiras, a gente imitava-os. Lembrando o filósofo Émile Durkheim que diz que a sociedade molda o homem." O homem é produto do meio." E eu sou amostra!
Próxima;" Balançaram no ar, mas fincaram raízes."
Nota!
Chef Almir, que tal passar esta receita do "Feijão do Tropeiro" para os seguidores da sua coluna " Receita do Mestre?"


Sebastião Milagres, Escritor, Filósofo, ex- professor de xadrez aposentado, Conselheiro do Fórum Municipal Cultural de Santana de Parnaíba. Autor dos livros Xeque-Mate no Inferno -VII-A e Subjetivos: Fragmentos da minha alma.

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