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Com 85,8 mil casos em 2025, AVC segue como desafio de saúde pública no Brasil

Com 85,8 mil casos em 2025, AVC segue como desafio de saúde pública no Brasil
Especialista explica como a Fonoaudiologia auxilia pacientes na recuperação de funções afetadas pelas sequelas neurológicas


O Acidente Vascular Cerebral (AVC) está entre as principais causas de morte e de incapacidades permanentes no Brasil. De acordo com dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil, foram registrados 85,8 mil casos da doença em 2025, o que reforça a gravidade do problema de saúde pública que pode atualmente acometer um brasileiro a cada sete minutos. Apesar do cenário alarmante, o Ministério da Saúde estima que cerca de 80% dos casos poderiam ser evitados com o controle de fatores de risco, como hipertensão, diabetes e colesterol alto. As sequelas neurológicas são frequentes e podem comprometer funções como sensibilidade orofacial, fala, deglutição, leitura e escrita, entre as áreas que podem ser tratadas pela Fonoaudiologia.
Segundo Sonia Sellin, fonoaudióloga (CFFa 1531-2) e membro do CREFONO2 – Conselho Regional de Fonoaudiologia do Estado de São Paulo, o início precoce da reabilitação é muito importante para ampliar as chances de recuperação. “O tratamento deve ser iniciado ainda no hospital, nas primeiras horas após o AVC, para posteriormente ser dada a continuidade em clínicas ou no ambiente domiciliar”, afirma. Ao longo do acompanhamento, o fonoaudiólogo avalia as áreas cerebrais afetadas e desenvolve um plano terapêutico individualizado, de acordo com as necessidades de cada paciente. A especialista do CREFONO2 ressalta, no entanto, que a evolução varia de poucos meses a anos, conforme a extensão das lesões, as áreas neurofuncionais preservadas, a estrutura psíquica do paciente e sua rede de apoio.
Por esse motivo, Sonia Sellin destaca que o acompanhamento fonoaudiológico envolve não apenas o paciente, mas também seus familiares. “O trabalho é realizado em parceria, com orientações sobre práticas que podem ser incorporadas à rotina doméstica e suporte nos momentos mais difíceis, garantindo a continuidade do tratamento”, explica.
A especialista ressalta ainda que as sequelas do AVC podem comprometer significativamente a comunicação e a interação social. Em alguns casos, o paciente apresenta fraqueza ou descoordenação dos músculos responsáveis pela fala, quadro conhecido como disartria. Em outros, surgem dificuldades para acessar palavras e expressar ideias, sentimentos e necessidades, condição chamada afasia, que também pode afetar leitura e escrita.
Os danos neurológicos provocados pelo AVC podem atingir ainda a deglutição, causando tosse, engasgos e alterações na coordenação do processo de engolir, envolvendo estruturas como cavidade oral, faringe, esôfago e estômago.
De forma geral, Sonia Sellin reforça a relevância da atuação fonoaudiológica na reabilitação de pacientes com sequelas pós-AVC, tanto na recuperação da comunicação verbal e não verbal, incluindo estratégias de Comunicação Aumentativa e Alternativa, quanto nos aspectos cognitivos e da escrita. O trabalho também inclui orientação a familiares e cuidadores sobre condutas terapêuticas e adaptação à nova condição do paciente, além da aplicação de técnicas e exercícios específicos voltados à fala, deglutição, respiração e velocidade da fala.

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