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Crônica do Sebastião Milagres - Denunciante: Barbacena e o Holocausto Brasileiro

Crônica do Sebastião Milagres - Denunciante: Barbacena e o  Holocausto Brasileiro
Que o Brasil tentou esquecer!
Depois de ler :" Holocausto Brasileiro"de Daniela Arbex, e ficar horrorizado com a crueldade humana, venho através desta crônica resgatar do silêncio o que o Brasil tentou enterrar.
No Hospício de Barbacena, vidas viraram número, e números não podem ser esquecidos.
De Barbacena a São João Del Rei-MG, onde nasci, são apenas 60 Km. Tão perto ...e por tanto tempo tão silenciado.
Não dava para ouvir ou assistir a estas crueldades com: pobres, pretos, esposas traídas, moças grávidas sem marido, idosos, homens que bebiam demais- Que ninguém quis defender, o apito do trem que passava apitava e a gente fingia que era vento.
No pátio do sanatório, o tempo andava devagar. Eram doentes mas eram gente. Alguns falavam sozinhos com o vento, outros só olhavam o muro. A falta não era de remédio. Era de presença.
Na minha casa ninguém falava do Manicômio de Barbacena, mas todo mundo sabia que lá não era hospital, sim depósito de gente. Gente que incomodava, filho que deu trabalho, mulher que chorou demais, homem que bebeu. Jogava tudo lá e trancava à chave. Eu, pequeno, ouvia o caso e não falava, tinha medo e vergonha. Hoje a vergonha passou, e a vergonha é de quem calou.
Parafraseando o filósofo Thomas Hobbies:" O homem é o lobo do homem." Em Barbacena foi a reescrita do Thomas Hobbies: "o homem é o diabo do homem." Na continuação desta crônica, desço aos Círculos 7° e 9° do "Inferno de Dante", no Hospício de Barbacena.

Sebastião Milagres, Escritor,
Filósofo, ex- professor de xadrez
aposentado, Conselheiro
do Fórum Municipal Cultural de
Santana de Parnaíba. Autor dos livros
Xeque-Mate no Inferno -VII-A
e Subjetivos: Fragmentos
da minha alma

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