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Doenças cardiovasculares causam mais de 300 mil mortes por ano no Brasil; Conitec abre Consulta pública sobre angiotomografia coronariana no SUS

Doenças cardiovasculares causam mais de 300 mil mortes por ano no Brasil; Conitec abre Consulta pública sobre angiotomografia coronariana no SUS
Estudo brasileiro aponta economia média de R$ 1.021 por paciente e potencial de superar R$ 30 bilhões em cinco anos com o uso da estratégia diagnóstica inicial

Sociedade pode participar até 24 de agosto e contribuir para o debate sobre o diagnóstico de pacientes com sintomas e suspeita de doença arterial coronariana estável

O Ministério da Saúde aponta que 30% dos óbitos no Brasil são ocasionados por doenças cardiovasculares, aproximadamente 300 mil mortes por ano1. Mundialmente, o Brasil ocupa o 9º lugar em número de mortes cardíacas1.



Entre as principais condições relacionadas a esse quadro está a doença arterial coronariana, que ocorre quando placas de gordura se acumulam nas artérias que irrigam o coração, podendo restringir o fluxo sanguíneo e aumentar o risco de eventos graves, como o infarto. A identificação precoce e precisa da condição é fundamental para orientar estratégias de prevenção e tratamento adequadas.


Diante desse cenário, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu a Consulta Pública nº 73/2026 para avaliar opiniões, sugestões e críticas da sociedade sobre a incorporação da angiotomografia coronária como exame de primeira linha no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta é voltada a pacientes sintomáticos, com probabilidade pré-teste baixa ou intermediária e suspeita de doença arterial coronariana estável.



A consulta, disponível na plataforma Brasil Participativo até 24 de agosto de 2026, é uma oportunidade para que pacientes, familiares, profissionais de saúde, entidades e demais cidadãos contribuam com informações e perspectivas sobre o tema. As manifestações recebidas serão consideradas no processo de avaliação da tecnologia pela Conitec.



Exame não invasivo pode apoiar decisões clínicas mais assertivas



A angiotomografia coronariana é um exame não invasivo que permite visualizar detalhadamente as artérias coronárias e identificar a presença de placas ateroscleróticas e obstruções. Por meio de imagens obtidas por tomografia computadorizada, o método pode auxiliar a investigação de pessoas com dor torácica estável ou outros sintomas compatíveis com suspeita de doença arterial coronariana.



Ao oferecer uma avaliação anatômica das coronárias nas etapas iniciais da investigação, a tecnologia pode contribuir para uma definição mais precisa da conduta clínica, evitando etapas diagnósticas desnecessárias em parte dos pacientes e ajudando a identificar aqueles que precisam de acompanhamento ou tratamento especializado.



Estudo brasileiro aponta potencial de economia e melhores desfechos



Um estudo recentemente publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, periódico científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, analisou o custo-efetividade da angiotomografia coronariana como estratégia inicial na investigação de pacientes com dor torácica estável e suspeita de doença arterial coronariana, sob a perspectiva da saúde suplementar brasileira.



A análise comparou o uso da angiotomografia coronariana com estratégias diagnósticas tradicionalmente empregadas e utilizou evidências científicas internacionais adaptadas ao cenário nacional, com dados da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) e da base TISS da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).



Os resultados indicaram economia média de R$ 1.021 por paciente quando a angiotomografia foi adotada como estratégia inicial. Em uma população-modelo de 100 mil beneficiários da saúde suplementar, com adoção progressiva da tecnologia ao longo de cinco anos, a economia acumulada poderia ultrapassar R$ 102 milhões2.



Além do potencial de redução de custos, a estratégia esteve associada a menor incidência de infarto agudo do miocárdio, hospitalizações e procedimentos de revascularização2. Segundo as estimativas do estudo, a redução de infartos poderia representar economia aproximada de R$ 686,86 por paciente; a diminuição de hospitalizações, R$ 684,41; e a menor necessidade de revascularização, R$ 811,092.



Considerando a população potencialmente elegível na saúde suplementar, os pesquisadores projetaram impacto econômico acumulado superior a R$ 30 bilhões em cinco anos2. Trata-se de uma projeção teórica para esse segmento do sistema de saúde, que ilustra o potencial de estratégias diagnósticas mais eficientes, sem representar diretamente uma estimativa de impacto para o SUS.



“A doença arterial coronariana continua sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade no país. Quanto mais cedo e precisamente conseguimos identificar os pacientes de maior risco, maiores são as chances de prevenir eventos cardiovasculares graves e direcionar o tratamento adequado. Os resultados do estudo mostram que a escolha da estratégia diagnóstica pode beneficiar simultaneamente pacientes e o sistema de saúde, ao combinar melhores desfechos clínicos com maior eficiência na utilização dos recursos disponíveis”, afirma a Dra. Isabela Bispo, uma das autoras do estudo e membro do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DIC/SBC).



Como participar da Consulta Pública nº 73/2026



A participação social ajuda a qualificar o processo de avaliação de tecnologias em saúde e a reunir diferentes perspectivas sobre o acesso ao diagnóstico cardiovascular no SUS.



A contribuição é aberta a toda a sociedade. Para participar:

Acesse a plataforma Brasil Participativo;
Localize a Consulta Pública nº 73/2026, sobre a angiotomografia coronariana como exame de primeira linha para pacientes sintomáticos com suspeita de doença arterial coronariana estável;
Leia os documentos disponibilizados, incluindo o relatório técnico e a recomendação preliminar da Conitec;
Clique na opção para contribuir e faça login ou cadastre-se na plataforma, caso necessário;
Envie sua manifestação, com opinião, sugestões, experiências ou evidências relacionadas ao tema, até 24 de agosto de 2026.

Crédito da foto: Free Pik/Magnific

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