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Crônica do Sebastião Milagres -Da Roça ao CVV: A Herança de Dona Rosa

Crônica do Sebastião Milagres -Da Roça ao CVV: A Herança de Dona Rosa
Prezado leitor que esta história toque o seu coração.
Boa leitura!

Confesso que trago no peito uma profunda admiração pelo filósofo Friedrich Nietzsche. No entanto, faço aqui uma ressalva necessária: não é pela sua célebre e ácida crítica à Igreja Católica que amo, e sigo seus passos. O que me fascina em sua filosofia, é a urgência que ele nos arranca da estagnação.
Nitzsche compreendia, com lucidez cortante, como a promessa de uma recompensa divina na outra vida, pode se tornar uma armadilha perigosa na terra.
Só projetar toda a felicidade para o além, o ser humano muitas vezes cruza os braços e senta-se a beira do caminho, esperando que as bençãos caiam do céu como milagres gratuitos. Esquecem-se de que a verdadeira fé não é passividade; a felicidade concreta não é um presente que se recebe , mas uma obra-prima que se controi no suor do dia a dia com as próprias mãos.
Foi então que, participando dos encontros das Comunidades Eclesiais de Base ( CEBs), moldei minha concepção, sobre o acomodamento das classes mais populares à luz da filosofia nietzschiana.
O papel das CEBs era despertar a comunhão dos mais simples, para que fossem protagonistas e não meros telepctadores de suas próprias vidas.
Nós nos reunirmos nos salões paroquiais da Região Metropolitana Oeste, dentre eles os de Osasco e o salão da Paróquia São João Batista de Barueri.(Sede)
Padres e seminaristas também participavam desses encontros. Era a Igreja do Vaticano II e do Papa João XXIII e do Papa Paulo VI. Enfim era a igreja das mangas arregaçadas no meio do povo. Baseando acima de tudo no evangelho de Cristo.
Nos encontros cantávamos ao som do violão , pandeiro flautas músicas de cunho social músicas também de catequese.
No meio destas canções tinha "Utopia" de Zé Vicente como também de Valmir Marques...
Tinha uma que ia ao encontro dos que passavam fome que mexia com os meus sentimentos.
Chamava "Vai, Vai, Missionário do Senhor" Que tinha os seguintes versos:
"Vai Missionário do Senhor
Vai trabalhar na messe com amor
Cristo também chegou para evangelizar
Não tenhas medo de evangelizar
Chegou a hora de mostrar quem é Deus
América Latina e o sofrido povo seu
Que passam fome e labutam, se condói
Mas acreditam na libertação ".
Essa pérola musical é um grito contra a fome e injustiça na: América Latina, África. Contra a dor da seca no nosso maravilhoso nordeste.
"Que me machuca muito!
Próxima crônica: Histórias de acolhimento, CVV e as memórias de Dona Rosa.


Sebastião Milagres, Escritor,
Filósofo, ex- professor de xadrez
aposentado, Conselheiro
do Fórum Municipal Cultural de
Santana de Parnaíba. Autor dos livros
Xeque-Mate no Inferno -VII-A
e Subjetivos: Fragmentos
da minha alma

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