Obesidade: especialista destaca cirurgia bariátrica como melhor alternativa para perda de peso sustentada e redução de riscos à saúde

Paciente elimina 45 quilos após cirurgia bariátrica e mantém resultados consistentes, mesmo após gestação

Março 9, 2026 - 15:51
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Obesidade: especialista destaca cirurgia bariátrica como melhor alternativa para perda de peso sustentada e redução de riscos à saúde
12 meses após o parto

A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, que exige informação de qualidade e uma abordagem baseada em ciência. Na América Latina, 6 em cada 10 adultos vivem com sobrepeso ou obesidade, condição que aumenta o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer.

 

Mais do que uma questão estética, trata-se de saúde pública. Para o médico cirurgião geral e bariátrico Juliano Canavarros, diretor da Gastro MT e atual presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), é fundamental reforçar que o tratamento da obesidade deve ser individualizado e multidisciplinar.

“A obesidade é uma doença complexa e exige abordagem multimodal. Cirurgia e medicamentos não são concorrentes, são ferramentas diferentes dentro da mesma estratégia terapêutica baseada em ciência”, afirma.

 

Cirurgia bariátrica por videolaparoscopia: mais segurança e recuperação mais rápidos 

A cirurgia bariátrica evoluiu significativamente nas últimas décadas. Hoje, o procedimento é realizado majoritariamente por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva feita por pequenas incisões no abdômen, por onde são introduzidos câmera e instrumentos delicados.

Segundo o especialista, essa abordagem revolucionou o tratamento cirúrgico da obesidade. “A videolaparoscopia reduziu complicações infecciosas, diminuiu o tempo de internação, acelerou a recuperação e permitiu retorno mais precoce às atividades. Quando realizada por equipes experientes e em ambiente adequado, é um procedimento seguro, padronizado e com baixas taxas de complicações”, explica.

Atualmente, são elegíveis para a cirurgia pacientes com IMC maior ou igual a 40, ou maior ou igual a 35 com comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono. Diretrizes internacionais recentes também ampliaram a discussão para casos selecionados com IMC entre 30 e 35, especialmente quando há diabetes mal controlado, respeitando os critérios regulatórios vigentes no Brasil.

Cirurgia bariátrica x “canetas emagrecedoras” 

Com o avanço dos medicamentos análogos de GLP-1 e GIP, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, muitas dúvidas surgiram sobre o papel da cirurgia bariátrica.

De acordo com o presidente da SBCBM, os medicamentos representam um avanço importante no tratamento clínico da obesidade, especialmente em casos leves a moderados ou em pacientes que ainda não têm indicação cirúrgica.

“Eles também podem ser utilizados no pré-operatório para reduzir peso inicial e risco cirúrgico, ou no pós-operatório, em casos de reganho de peso. Mas a ciência é muito clara ao apontar a cirurgia bariátrica como o método mais duradouro, eficaz e custo-efetivo para tratar obesidades moderadas e graves”, destaca.

O especialista reforça que a cirurgia apresenta maior evidência de perda de peso sustentada, altas taxas de remissão do diabetes tipo 2, redução de eventos cardiovasculares, diminuição da incidência de tumores associados à obesidade e redução comprovada da mortalidade global.

De uma lua de mel interrompida ao sonho da maternidade 

 



Antes
Depois

 

A história da supervisora de licitações Andressa Fregate Villas Boas ilustra como o tratamento adequado pode transformar vidas. Desde a infância, ela convivia com asma crônica e, ao longo dos anos, enfrentou o chamado “efeito sanfona”. “Eu fiz uso de medicamentos emagrecedores, mas era aquele efeito sanfona: emagrecia, engordava, emagrecia, engordava”, relembra.

O ponto de virada aconteceu em 2022, durante sua lua de mel em Bariloche. Em meio a um passeio turístico, uma crise de asma a impediu de continuar o trajeto. “No meio do caminho, na parte mais bonita, eu não aguentei mais seguir. Me deu um ataque de asma e o meu corpo estava pedindo para parar. Para mim, aquele momento foi o derradeiro”, conta.

Pouco antes do casamento, uma médica já havia feito um alerta importante sobre os riscos de uma futura gestação. O sonho de ser mãe falou mais alto. Em março de 2023, com 116 quilos, Andressa realizou a cirurgia bariátrica por videolaparoscopia.

Ela eliminou 45 quilos. A gordura no fígado e a pressão alta desapareceram, e a asma passou a ser controlada. Com acompanhamento médico rigoroso e reposição vitamínica adequada, teve uma gestação tranquila e deu à luz um menino saudável, com nota máxima nos testes vitais. “Se você me perguntasse: ‘Valeu a pena fazer a cirurgia?’. Sim, valeu a pena para mim. E hoje eu tenho o maior bem da minha vida, que é o meu filho”, afirma.

Além disso, Andressa manteve os resultados mesmo após a gravidez e com isso faz questão de reforçar que a cirurgia não é solução mágica. “Não é uma brincadeira, é algo que mexe com todo o metabolismo do corpo. Por isso, acompanhamento contínuo e mudança de estilo de vida são inegociáveis.”
 

38 semanas de gestação
12 meses após o parto


Ampliar o debate e combater mitos é essencial para que mais pessoas tenham acesso ao tratamento adequado no momento certo. E como iniciativa educacional, a Medtronic tem o projeto Falando de Obesidade, que tem como objetivo informar a sociedade sobre a obesidade, seus impactos e as possibilidades de tratamento, contribuindo para decisões mais conscientes e baseadas em evidências científicas. A plataforma não é vinculada à venda de produtos.