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    Tirinha para entretenimento - By Isac

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  12. Democratização de produto favorece comércio exterior e  exportação de manga à Europa cresce 71% em oito anos Notícia

    Variedades

    Democratização de produto favorece comércio exterior e exportação de manga à Europa cresce 71% em oito anos

    Fitorregulador “controla” a floração da mangueira para que os frutos cresçam o ano todo, inclusive na principal janela de venda aos europeus



    A exportação brasileira de manga deu um grande salto entre os anos de 2018 e 2025, acumulando alta de 71% nas vendas para o mercado exterior em volume, principalmente para a Europa, o principal consumidor da fruta exportada pelo país, segundo dados do Comex Stat, do governo federal. Fator relevante para esse desempenho foi a democratização no Brasil, há oito anos, do fitorregulador Paclobutrazol (PBZ).



    O produto “controla” a floração da mangueira para que os frutos cresçam o ano todo, inclusive na principal janela de exportação à Europa. A democratização aconteceu graças a uma disputa de mercado, quando a concorrência permitiu que o PBZ pudesse ser vendido no Brasil a menos da metade do preço que então era praticado pela única empresa que o comercializava no país.


    Segundo o diretor da Ascenza no Brasil, Renato Francischelli, responsável por viabilizar a concorrência do PBZ no país, o produto é essencial à produção de manga para exportação. “Ninguém produz manga sem ele”, afirma. A região é responsável por entre 90% e 95% da manga exportada pelo país.



    O grande mercado consumidor da fruta brasileira é a Europa, que comprou 78% da manga exportada no ano passado, segundo o Comex Stat. Os europeus preferem as frutas com menos fibras, chamadas de “manga de colher”, e importam as variedades Keitt, Kent e Palmer. Já para os Estados Unidos, que compraram em 2025 13% da manga exportada, os produtores enviam na sua maioria a variedade Tommy Atkins, um pouco mais fibrosa, e também a Palmer.


    Francischelli explica que o fitorregulador é essencial para a produção das mangas brasileiras vendidas à Europa. Ele lembra que havia uma só marca comercializada oficialmente no Brasil até 2018, com custo mais alto. “Agricultores chegavam a recorrer a produtos sem regulação para conseguir viabilizar a produção”, comenta. Em 2013, a Ascenza solicitou o registro no Brasil de um produto da empresa que já era fabricado e vendido na Europa, o Paclo BR.



    O registro foi autorizado cinco anos mais tarde, depois do empenho pessoal de Francischelli, que viajou várias vezes à Brasília para defender a importância do fitorregulador na produção e exportação da manga, inclusive com apoio do governo estadual de Pernambuco. “Quando obtivemos a autorização para venda do produto, por um preço 62,5% menor do que era praticado no mercado até então, a concorrência reduziu o valor do produto, democratizando seu uso”, comenta o diretor da Ascenza.



    Segundo Francischelli, hoje a Ascenza é um importante player do mercado e disputa a liderança no Brasil. Ele explica que o produto da empresa tem formulação mais moderna e qualidade comprovada. Pode ser aplicado em todas as variedades de manga, mas tem uso intensivo em mangas destinadas à exportação por oferecer alto padrão de qualidade, atendendo às exigências rigorosas dos mercados internacionais.


    O diretor da Ascenza lembra que a manga é cultivada no Vale do São Francisco por produtores locais, de médio e grande porte. “O PBZ dá segurança porque o agricultor pode programar e escalonar a colheita, aproveitando as janelas de exportação. Ele calendariza a planta para ela produzir quando o mercado consome.



    Segundo Francischelli, o Paclobutrazol também está começando a ser usado no Brasil na cultura do abacate, fruta ainda majoritariamente consumida no mercado interno.

    Números da manga



    O Brasil exportou no ano passado o recorde de 291 mil toneladas de manga, volume 71% maior que as 170,5 mil toneladas exportadas em 2018. Já em 2019, um ano após a abertura da concorrência do PBZ, a exportação alcançou 216 mil toneladas, alta de 27% em relação ao ano anterior. Os dados são do Comex Stat.



    No mesmo período, de 2018 a 2025, a produção nacional da fruta cresceu cerca de 17%, conforme projeções da Embrapa e dados do IBGE. Em 2025, o Brasil produziu 1,54 milhão de toneladas de manga, apontam projeções da Embrapa (os dados ainda não foram consolidados pelo IBGE) e em 2018 foram colhidas 1,32 milhão de toneladas da fruta, de acordo com o IBGE.



    Apenas para o mercado europeu foram exportadas 226 mil toneladas de manga no ano passado, ante 127 mil toneladas vendidas em 2018, alta de 78%. A Europa consumiu 78% da manga exportada em 2025 e 74,5% da que foi exportada em 2018.



    As exportações brasileiras de manga para a Europa acontecem praticamente o ano todo, mas são fortemente concentradas entre o segundo semestre e o início do outono europeu. Nessa época ocorre a maior produção no Vale do São Francisco devido à janela comercial favorável no mercado europeu, quando há menor oferta de concorrentes como Espanha e Israel.


    Embora a manga vendida pelo Brasil à Europa não seja tarifada, a expectativa é de que o acordo Mercosul–União Europeia favoreça ainda mais as vendas com tendência de crescimento de mercado, ante a preferência europeia por frutas premium e sustentáveis.


    Foto Embrapa