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Capacitismo estrutural exclui milhões de brasileiros e compromete desenvolvimento do país

Capacitismo estrutural exclui milhões de brasileiros e compromete desenvolvimento do país
Defensor Público Federal e especialista em Direitos Humanos afirma que exclusão das pessoas com deficiência é resultado de escolhas políticas e sociais sistemáticas

O capacitismo estrutural ainda molda cidades, escolas, empresas, serviços públicos e políticas sociais no Brasil, excluindo milhões de pessoas com deficiência de direitos básicos e da plena participação social. O alerta é do Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social.

Segundo o especialista, o problema vai muito além do preconceito individual. “Capacitismo estrutural é a própria sociedade - e o Estado, sobretudo - construindo a exclusão através de suas ações e de suas políticas”, afirma.

Dados do IBGE mostram que o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, mas a exclusão permanece evidente em diversas áreas. No mercado de trabalho, apenas 28% das pessoas com deficiência em idade ativa estão empregadas, contra 66% da população sem deficiência. Além disso, trabalhadores com deficiência recebem, em média, 40% menos do que colegas sem deficiência com escolaridade equivalente.

Para André Naves, o cenário revela que a inclusão ainda ocorre de forma superficial. “Uma rampa num prédio não é inclusão se a pessoa continua desempregada, pobre e sem acesso à saúde. Inclusão verdadeira é estrutural”, destaca.

Na educação, o problema também é grave. Dados do Censo Escolar apontam que apenas 1,52% das escolas públicas brasileiras possuem infraestrutura plenamente acessível. Já na saúde, menos de 20% das Unidades Básicas de Saúde contam com consultórios adaptados para cadeirantes.

O defensor também pontua a relação entre deficiência, pobreza e crise climática. Para André Naves, eventos extremos ampliam ainda mais a vulnerabilidade das pessoas com deficiência, criando o que ele chama de “clima-capacitismo”. “A crise climática amplifica sistematicamente a exclusão de quem já estava fora”, explica.

O especialista critica ainda o que considera “o teatro da inclusão”, marcado por campanhas simbólicas e ações pontuais sem transformação efetiva das estruturas sociais. Para ele, a inclusão não deve ser tratada como filantropia, mas como desenvolvimento econômico e Justiça social.

Estudos internacionais citados no artigo mostram que empresas verdadeiramente inclusivas apresentam maior inovação, lucratividade e produtividade. “O Brasil perde riqueza ao excluir, perde talentos, soluções e desenvolvimento”, ressalta.

Apesar do cenário preocupante, André Naves acredita que mudanças são possíveis. Entre os caminhos apontados estão investimentos em acessibilidade urbana, educação inclusiva, políticas públicas menos burocráticas e maior participação das próprias pessoas com deficiência nas decisões. “O capacitismo estrutural é escolha. E se é escolha, pode ser desfeito”, conclui.

Para saber mais sobre o trabalho de André Naves, acesse o site andrenaves.com ou acompanhe pelas redes sociais: @andrenaves.def.

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