Sextou com o "S" da saudade em Sampa - Por Sebastião Milagres

Hoje dia da "saudade" 30 de Janeiro resolvi escrever esta crônica, para lembrar de algumas coisas bonitas que São Paulo, tinha nos anos 70 e infelizmente acabaram.

Janeiro 29, 2026 - 11:29
 22
Sextou com o "S" da saudade em Sampa - Por Sebastião Milagres
Dia 21 de Junho de 1971, madrugada friorenta, a Lua não estava na sétima casa. Mas o coração estava angustiado igual o do caipira Claude Bukowski no filme "Hair", quando deixa a fazenda dos seus pais em Oklahoma e vai para Nova York tentar a vida. Vale a pena ver o filme! Neste dia meu corpo desembarcou no Terminal da Luz, mas a alma ... Ah, mas a alma ficou lá em Minas, com os amores da minha vida: mãe e a minha Estrela Cintilante.(namorada) Eu me tornava um migrante.
     Nas proximidades da rodoviária apanhei um táxi Volkswagen Fusca na cor  laranja, e ruminação a saudade enquanto o carro, deslizava em direção ao meu novo lar, a casa do meu irmão Antônio pertinho do início da Via Anchieta.
     Início dificílimo chegava a chorar de saudades delas.Mas com conselhos e orações de ambas fui me acostumando a minha nova vida.
     Pouco tempo depois consegui um emprego na Fotóptica, estabelecimento de varejo de ótica, equipamentos fotográficos, produtos de fotografia... Esta loja ficava no coração de São Paulo na Rua Conselheiro Crispiniano há poucos metros do Mappin.
Meu serviço era interno e externo, então  quando estava na rua, eu chegava assistir cenas inusitadas. Como um  pastor no meio de uma roda,  brandindo uma Bíblia no ar. E os fiéis gritando " Amém"! "Glória"!             Mas o  que mais me chamava atenção  acontecia a 200 metros da Fotóptica.Com o guarda de trânsito chamado Luizinho, na frente  do Mappin no cruzamento da Rua Xavier de Toledo e a Praça Ramos. Quando algum motorista desatento ultrapassava a faixa de segurança.Ele o chamava com educação e crítica, e pedia-lhe que abrisse as portas traseiras e dianteiras do carro. Logo em seguida pedia aos pedestres que atravessassem no interior do  veículo.Transfomando  o carro  num túnel. Era um jeito criativo de resolver o trânsito! Nunca presenciei violência contra o Luizinho, que ainda está vivo e forte com 84 anos.
     Aos sábados eu tinha algumas opções de diversões para passar o tempo.Algumas raras como ir no Teatro São Pedro na Barra Funda, assistir alguma opera, ou ir no  Teatro Popular do Sesi na Paulista. 
     Mas a menina dos meus olhos era o "Cine Comodoro", que ficava na Av. São João, próximo ao cruzamento com Avenida Duque de Caxias. "Era um cinema luxuoso, o qual, foi o pioneiro no Brasil ao introduzir a tecnologia "cinerama". Com tela curva e um som de alta qualidade.  ( Conforme o Google) Onde eu cheguei assistir " O Vento Levou", "2001- Uma Odisseia no Espaço", "Tubarão", "Inferno na Torre" e "Terremoto". Os três últimos filmes com a minha esposa.Infelizmente foi fechado em 27 de Março 1997. Em seu lugar foi ocupado por uma igreja evangélica, deixando nós cinéfilos com uma saudade imensa!
     E como a vida em São Paulo segue, a continuação desta continua na próxima crônica. 
Errata.(Crônica anterior)
Quem foi sequestrado na Venezuela foi Nicolás Maduro e não Hugo Chaves!
Sebastião Milagres
Escritor autor do livro:" Xeque-Mate no Inferno VII-A.
Filósofo, ex-professor de xadrez, na Prefeitura de Santana de Parnaíba. 
Conselheiro do Fórum Municipal Políticas Culturais de Parnaíba.