Entenda o que é o ciclone que atinge o Brasil esta semana
Especialista explica riscos, período de ocorrência e influência do fenômeno
O Brasil deve enfrentar nesta semana a atuação de um ciclone extratropical, fenômeno atmosférico comum no Atlântico Sul, mas que tem chamado cada vez mais atenção pelos impactos registrados em áreas litorâneas e até no interior do país. Ventos intensos, chuvas volumosas e ressaca marítima estão entre os principais efeitos associados ao sistema. De acordo com Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio, os ciclones extratropicais sempre ocorreram na região, especialmente próximos à costa da Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul.
“Na verdade, os ciclones extratropicais sempre foram comuns no Atlântico Sul. O que mudou foi a frequência com que eles se formam ou se deslocam muito próximos ao litoral brasileiro, impulsionados pelo contraste térmico entre massas de ar polar e massas de ar tropical, que está mais acentuado”, explica Robson.
Entre os principais riscos estão os ventos fortes, capazes de provocar quedas de árvores, destelhamentos e danos à rede elétrica, além de chuvas intensas. “O ciclone funciona como uma ‘bomba’ que puxa umidade, causando inundações e deslizamentos de terra. Outro impacto relevante é a ressaca marítima, quando o vento intenso empurra a água contra a costa, dificultando a navegação e acelerando a erosão das praias”, afirma o especialista.
De acordo com o professor, sistemas são mais frequentes e intensos durante o outono e o inverno, período em que as frentes frias são mais rigorosas e o contraste de temperatura com o ar quente vindo do norte se torna mais severo. “O aquecimento global pode estar intensificando os fenômenos. O aumento da temperatura da superfície do mar fornece mais energia para a atmosfera. Quanto maior a energia disponível, mais profundo é o centro de baixa pressão do ciclone, resultando em ventos mais destrutivos e chuvas recordes”, diz.
Apesar de não serem novos, os ciclones passaram a ter maior visibilidade com o avanço do monitoramento por satélite e a expansão urbana em áreas vulneráveis. Isso amplia a percepção de que os eventos estão mais frequentes e devastadores, sobretudo nas regiões costeiras.
Um dos termos que costuma gerar preocupação é o chamado “ciclone bomba”, nome popular para a ciclogênese explosiva. O engenheiro ambiental explicou a causa do fenômeno e o motivo da preocupação da população. “O fenômeno ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema cai de forma muito rápida, pelo menos 24 milibares em 24 horas. Essa queda brusca intensifica significativamente os ventos e torna o sistema mais violento e súbito do que um ciclone extratropical comum, aumentando o potencial de danos”, finaliza.
