Guerra no Oriente Médio: “Não vamos permitir que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro e da dona de casa”, afirma Lula
Entrevistado nesta quinta-feira (4/2) pela TV Record Bahia, presidente destaca as ações para blindar o país dos efeitos do conflito internacional e ressalta avanços sociais, na educação e a posição de destaque do Brasil na geração de energia limpa e renovável
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ressaltar, nesta quinta-feira (2/4), durante entrevista concedida em Salvador à TV Record Bahia, que o Governo do Brasil trabalha para impedir que a guerra no Oriente Médio impacte os preços dos alimentos e dos combustíveis no país. “Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar alface, feijão, arroz, milho, que vai comprar a comida do seu filho. Nós não vamos permitir que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro, chegue ao bolso da dona de casa”, avisou.
Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar alface, feijão, arroz, milho, que vai comprar a comida do seu filho. Nós não vamos permitir que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro, chegue ao bolso da dona de casa”
Presidente Lula
Segundo Lula, o governo atua em várias frentes para blindar o país dos efeitos do conflito. “Nós estamos tomando muitas medidas. Estamos com um processo de fiscalização muito sério no Brasil. Nós estamos tentando colocar a Polícia Federal para pegar quem for necessário, a Polícia Rodoviária Federal, para investigar redistribuidoras, porque tem muita gente ganhando dinheiro, roubando o povo. Porque não tinham o direito de ter aumentado, estão aumentando, e nós estamos atrás. O que eu posso te garantir é que nós faremos tudo o que estiver ao alcance do país para não permitir que a guerra do Irã chegue ao prato de comida do povo brasileiro e muito menos chegue ao tanque de combustível do caminhoneiro, que já tem dificuldade com o seu frete”.
BOLSA FAMÍLIA – Indagado sobre o papel que o Bolsa Família desempenha no país, Lula afirmou que sonha com o dia em que o programa não será mais necessário. “O sonho que eu tenho é que um dia o povo esteja tão bem de vida que não precise mais do Bolsa Família. Esse é o objetivo. É uma política de inclusão social para favorecer as pessoas mais carentes, mas eu trabalho com a ideia de que um dia a economia estará tão bem, estaremos gerando tantos empregos, o salário estará tão bem, que ninguém precise mais do Bolsa Família. Não é nós que vamos tirar as pessoas, porque nós não vamos tirar. São as pessoas que pedirão para sair, porque, como o povo pobre e trabalhador é honesto, a hora que ele tiver dinheiro, ele não vai precisar mais de viver de favor do Estado”.
DOIS MILHÕES – Entre janeiro e outubro de 2025, mais de dois milhões de famílias deixaram de receber o Bolsa Família, segundo dados da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Das 2.069.776 famílias que deixaram de depender do programa de transferência de renda, a maioria (1.318.214) saiu do benefício em razão do aumento dos ganhos totais no domicílio. Outras 24.763 fizeram o desligamento voluntário, enquanto 726.799 famílias concluíram o período na Regra de Proteção.
O mecanismo permite que o beneficiário continue recebendo metade do valor do Bolsa Família por até 12 meses, mesmo após superar o limite de R$ 218 mensais per capita e desde que não ultrapasse R$ 706. Em outubro do ano passado, o Bolsa Família atendeu 18,9 milhões de famílias em todo o país, menor patamar desde o início do terceiro mandato do presidente Lula, o que compra conquistas como o menor nível de desigualdade da série histórica; a menor taxa de desemprego da série histórica (5,4% para o trimestre nov/dez/jan de 2026) e o crescimento recorde do rendimento do trabalho, com máxima salarial de R$ 3.742 beneficiam a camada mais vulnerável.
INFLAÇÃO – O país atingiu, nos últimos anos, a menor inflação média por mandato presidencial e a maior renda real do trabalho. Com isso, o salário-mínimo permitiu a compra de mais cestas básicas. Esses fatores foram destacados pelo presidente durante a entrevista. “Nós estamos hoje vivendo a menor inflação acumulada em quatro anos na história do Brasil. Os preços dos alimentos tiveram mais caro em 2024, tiveram mais caro até metade em 2025, mas hoje a inflação de alimentos está baixa. As coisas estão melhorando e eu espero que continue baixando, porque nós precisamos baixar a taxa de juros e baixar o preço da comida para o povo poder comer mais, para poder comprar mais e comprar alimentos de melhor qualidade. Eu não quero que o povo fique comprando coisa de segunda. Quero que o povo compre coisa de primeira. Nós vamos fazer o ajuste necessário em todos os programas que a gente tiver que fazer”, avisou Lula.
“Para a gente fazer as coisas acontecerem, uma coisa que podemos fazer é aumentar o salário. Quando você não pode aumentar o salário, você pode aumentar os benefícios. Por exemplo, o Gás do Povo. Nós estamos dando gás gratuito para 15 milhões de famílias nesses país”, exemplificou o presidente.
EDUCAÇÃO – Questionado sobre o tema educação, Lula destacou alguns avanços importantíssimo obtidos a partir de 2023, entre eles a alfabetização na idade certa. “Nós tivemos agora um sucesso extraordinário. A gente tinha feito um pacto com os prefeitos e governadores para que até 2030 a gente conseguisse atender a alfabetização até o segundo ano do ensino fundamental com 80% da população. Em um ano e meio nós já chegamos a 66%. Portanto, nós estamos perto de concluir a meta. O objetivo é chegar a 100% de crianças alfabetizadas até o segundo ano escolar. Porque se a criança não for alfabetizada no tempo certo, essa criança vai ter mais dificuldade de seguir o resto do ensino que ela tem que fazer durante a vida. O que nós precisamos efetivamente é o compromisso dos prefeitos e dos governadores de que cuidar da educação é uma coisa de muita seriedade.
99,9% DOS MUNICÍPIOS – O sucesso do trabalho no campo da alfabetização na idade certa só foi possível devido à alta aderência dos municípios às medidas incentivadas pelo Governo do Brasil. Ao todo, 5.565 municípios, 99,9% do total dos municípios brasileiros, aderiram ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Ele é baseado na colaboração entre os entes federativos para garantir a alfabetização de todas as crianças do Brasil até o final do 2º ano do ensino fundamental, além de recuperar aprendizagens de alunos do 3º, 4º e 5º ano afetadas pela pandemia.
TEMPO INTEGRAL E PÉ-DE-MEIA – Outros destaques alcançados a partir de 2023 foi que hoje o país celebra mais de 8,8 milhões de matrículas em Escola de Tempo Integral e conta com mais de 5,6 milhões de jovens do ensino médio já beneficiados pelo programa Pé-de-Meia. Trata-se de um incentivo financeiro-educacional na modalidade de poupança, destinado a promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes matriculados no ensino médio público. O objetivo é democratizar o acesso e reduzir a desigualdade social entre os jovens, além de garantir mais inclusão social pela educação, estimulando a mobilidade social.
“Nós temos o melhor momento de escola integral do tempo do Brasil. Ainda falta muito, mas já fizemos muito. Nós temos um processo de modernização de crianças na idade certa andando muito. Vamos chegar a 800 institutos federais nesse país. Nós herdamos 140 e vamos chegar a 800 institutos. Eu estou convencido de que nós estamos fazendo aquilo que é preciso fazer. Não há exemplo no mundo de nenhum país que deu um salto de qualidade sem antes fazer investimento em educação”, concluiu Lula.
ENERGIA – Lula também foi motivado a falar sobre a questão da energia e de como o Brasil, um exemplo para o mundo, trabalha a questão da produção de energia limpa, renovável e sustentável. “Se tem uma coisa que a gente tem perspectiva de ter de sobra, é a chamada energia renovável, seja eólica, seja solar, seja biomassa, seja do hidrogênio verde. Em 2050, a Europa quer chegar a 40% de energia renovável. Hoje, o nosso país já tem 53% de energia renovável. Ou seja, nós já alcançamos hoje o que eles pretendem alcançar em 2050. E, mais importante, do ponto de vista da energia elétrica, nós temos 87% de energia renovável. Portanto, o Brasil é um modelo, é um exemplo a ser seguido”, reforçou o presidente.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República