Sextou com "S" da Saudade em Sampa( terceira parte) - Por Sebastião Milagres
"A saudade é a presença da ausência". (Machado de Assis)
Devo confessar-lhes que sou um eterno saudosista apaixonado pelo passado: carnaval, cinema, música...
Já chorei de tristeza, alegria, empatia... Este choro é uma resposta emocional ao sofrimento alheio e de saudade."E por falar em saudade! ( Onde anda você? Vinícius de Moraes)
Recém chegado à São Paulo, em 1971, e passeando pelas cercanias da Praça da República, Avenida São João .deparei com a música " Verdes Campos da minha Terra" do Agnaldo Timóteo, vindo de uma loja de discos. Foi o meu primeiro chôro em Sampa, saudoso da minha gente.
Caminhando 1,5 Km da Avenida São João para o Vale do Anhangabaú sentido Sul/Sudeste.Existia uma passarela curvalística urbana, apelidada carinhosamente de Chazinho, que ficava debaixo do Viaduto do Chá. Eu ficava horas e horas debruçado sobre o guarda-corpo de vidro vendo o trânsito fluir. Perdido em pensamentos, lembrando da minha gente que deixei para trás. Era uma saudade caipira.
Com as perdas dos meus entes queridos: mãe, minha Estrela Cintilante, e amigos. Respondo-lhe parafraseando um trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade"Confissão do Itabirano:" 'Meu torrão natal é apenas uma memória visual, nostálgica.' " É apenas uma fotografia na parede."
"E como dói!"
Do Vale do Anhangabaú vamos dar uma esticadinha de 8 a 9 km ao fascinante bairro da Lapa. Quando morava na Vila Romana que faz parte do bairro da Lapa. Eu era "um rato de biblioteca" da Biblioteca da Lapa, situada na Rua Catão, Vila Romana. Eu retirava livros para mim e para as minhas filhas. Participava religiosamente das atividades dela: exposições, oficinas, palestras... Foi numa dessas que conheci o Jornalista Lourenço Diaféria o qual foi colunista do Jornal da Tarde, e uma referência na escrita para mim.
Da Lapa para Barueri houve uma mudança voluntária, de bibliotecas e cidades.
Paro neste ponto, refletindo sobre as perdas e mudanças, e percebo que, assim como as páginas de um livro, as memórias desdobram, trazendo saudades e novas histórias para contar.
Até a próxima!
Sebastião Milagres, Escritor, Filósofo, ex- professor de xadrez aposentado, Conselheiro do Fórum Municipal Cultural de Santana de Parnaíba. Autor dos livros Xeque-Mate no Inferno -VII-A e Subjetivos: Fragmentos da minha alma.
